COMO FUNCIONA A BILHETERIA DE UM FILME?

 

Jefferson Navarin

 

 

A JORNADA DE UM FILME

Hoje não é nada difícil ver mensalmente uma notícia de que um filme gerou tantos milhões de dólares e bateu  records X e Y. Sempre que vemos uma notícia sobre isso pensamos primeiramente que filmes rendem muito  dinheiro, mas depois vem a dúvida “nenhuma empresa se baseia apenas no valor de custo de produção menos o valor arrecadado com vendas”. Nenhuma empresa funciona assim, dessa forma simplista, porque uma indústria tão complexa como a dos cinemas funcionaria? Resolvemos compilar algumas informações nessa matéria que podem ajudar a esclarecer um pouco do básico do processo financeiro de um filme, ou como cunciona a bilheteria de um filme, desde sua criação até sua arrecadação e consequente lucro ou prejuízo.

Mas não se preocupem, a matéria não vai ser tão longa assim, vai ter ilustração e nada de matemática...

 

Uma das primeiras coisas a se definir, para então tentar definir como funciona o faturamento de um filme é imaginar como esse filme foi feito. Primeiro teremos que falar o óbvio, cada caso é um caso, independente do valor do filme, diversos contratos implicam em diversos caminhos e subterfúgios que o estúdio usa para alcançar olucro. Ainda assim vamos imaginar uma situação comum, com uma parceria intricada e borrada entre estúdio e distribuidor, como acontece com filmes da Warner, Disney ou Fox.

 

Para começar, você gosta de queijo? Porque vamos imaginar que oEstúdio é uma fazenda e que o filme é o Queijo, nesse caso, todo o trabalho de produção do queijo, que eu tenho certeza que você sabe mais ou menos como é, acontece lá. Mas nós não compramos queijona fazenda, pelo menos não todos nós, a grade maioria da raça humana tem o habito de comprar queijo em grandes Super-Mercados e Lojas Especializadas em bairros mais elitistas. Para fins de lógica na comparação o Mercado é o Cinema, é lá onde compramos o queijo/filme. Até aí tudo certo, não é? Mas quem vendeu o queijo/filme ao mercado/cinema? Com certeza não foi a fazenda/estúdio que está muito ocupada para vender o seu queijo para todos os mercados do mundo.

 

Existe um distribuidor que serve uni- camente para isso, comprar o queijo e vender aosmercados, embora muitas vezes as fazendas ficam tão grandes que esse distribuidor é apenas um braço dela e isso borra todo um conceito financeiro estabelecido. As comparações terminam, mas não ainda penso se os filmes são Queijo, a produção pode ser o leite... o que são os Atores e Atrizes? Há casos em que simplesmente um filme é feito por um estúdio, custando 40 milhões, por exemplo, e um distribuidor compra dele por 50 milhões ou por um valor menor e mais um percentual pequeno da venda de ingressos, fi cando até mesmo com o custo de Marketing. Assim o estúdio tem lucro, basicamente independente do que o filme+ renda ou não. Contudo, vamos falar de um caso mais comum hoje, que é quando Estúdio e Distribuidor são dois braços de uma mesma empresa. Esse caso é comum e explica a visão errada que temos de orçamento do filme ser o quanto o filme gastou. Por mais que seja absurdo imaginar que um filme de 2 horas as vezes custe 200 milhões de dólares para ser feito, temos que pensar que por aí há pelo menos mais uns 100 milhões gastos pelo distribuidor só com marketing para o filme e sempre que fazemos listas de filmes lucrativos, esquecemos dessa parte.

 

Eu explico também, que por um certo angúlo é justo esquecermos dessa parte, não para dizer se houve lucro ou não, mas para dizer se um filme foi bem sucedido, ao ponto de que o famoso ponto de equilíbrio ou Break Even de orçamento foi atingido. Se houve um prejuízo quando somamos o custo de marketing (propagandas em televisão, cartazes e muitos outros meios), a culpa tecnicamente não foi do estúdio ou do filme e sim do marketing que foi mal feito. Nunca é uma ciência exata, mas é fácil imaginar que estúdio e distribuidora devam apontar o dedo uma para as ou- tras quando um caso desse ocorre.

EM CARTAZ

A partir do momento em que um filme está nos cinemas, há igualmente muito a se considerar, por exemplo, no pas- sado próximo as distribuidoras tinham um acordo com os cinemas sobre o primeiro final de semana ser mais lucrativo. Cerca de 90% do lucro dos filmes iam para a distribuidora/estúdio e os outros 10% ficavam para os cinemas, como sabemos, o primeiro final de semana é sempre o melhor para os filmes, e exceto em casos muito específos, como o de A Origem, de Nolan, por exemplo, o rendimento do filme cai grosseiramente de uma semana pra outra. Nessa época os cinemas só lucra- vam com os “lanchinhos” super-faturados, a pratica do lucro baixo na primeira semana em geral não existe mais, contudo sabemos que qualquer alimento dentro dos cinemas continuam superfaturados. Qualquer negociação entre distribuidores é única e essa deve ser a frase mais usada nesse post “cada caso é um caso”, mas vamos tentar trabalhar com a média novamente.  Mas não ignorando os fatos. A maioria dos contratos protegem os cinemas no seguinte ponto, os cine- mas ganham mais, um filme rendeu 10 milhões de dólares, por isso odis- tribuidor vai ganhar cerca de 45% desse valor, já se um filme rendeu 300 milhões, o distribuidor ganha 60% do valor. A última amostra para os acionistas do Cinemark america- no mostram que cerca de 54,5% do valor dos ingressos foram para os distribuidores em 2011.

 

Já que definimos isso, digamos que um filme rendeu 500 milhões de especialmente o último, As Crônicas de Narnia – A Viagem do Peregrino da Alvorada, que fez cerca de 100 milhões domésticamente e mais 270 milhões

bilheteria, 54,5% disso vão para o distribuidor repassar para o estúdio, ou seja 272.5 milhões. Mas o estúdio em si não ganha isso, porque existe a “Distribuition Fee”, ou a taxa de distribuição, que no- vamente é variável de caso a caso, mas podemos defini-la aqui como 30%. Ou seja, 82.6 milhões ficam na mão da distribuidora, que em- bora em um grande número de vezes sejam um braço da mesma empresa que o estúdio, a divisão ainda existe. Por isso novamente, faz muito sentido não mencionar os custos de Marketing, pois ele pertence a uma empresa separada e que ganha sua parte separada.

No fim dessa conta sobram 189.9 milhões para o estúdio...se o filme custou 200 milhões para ser feito, isso é um prejuízo, pequeno, mas é A estatística diz que apenas 1 a cada 20 filmes geram lucro apenas nos cinemas americanos, ou seja, pa- rece um mal negocio, mas há mais formas de renda do que o cinema americano, como por exemplo os cinemas internacionais.

NO MUNDO

Existem muitos casos de filmes que foram uma bomba nos EUA, que não renderam nem metade do que deveriam, mas que sobrevi- veram por conta de sua bilheteria no resto do mundo. Os tipos de bilheteria se chama Doméstica,  ou Internacional, a bilheteria do resto do mundo, ou “Over Seas”. Um caso de sucesso Internacional e fracasso Doméstico foram os dois últimos As Crônicas de Narnia, especialmente o último,  As Crônicas de Narnia – A Viagem do Peregrino da Alvorada, que fez cerca de 100 milhões domésticamente e mais 270 milhões  bilheteria, 54,5% disso vão para o bilheteria nos cinemas do mundo, contudo com im- postos e outros custos excessivos que os mercados externos têm, somada ao recolhimento ser em uma moeda quase sempre inferior ao dólar, que o  constante.

FORA DOS CINEMAS

A partir do momento em que um filme está nos cinemas, há igualmente muito a se considerar, por exemplo, no pas- sado próximo as distribuidoras tinham um acordo com os cinemas sobre o primeiro final de semana ser mais lucrativo. Cerca de 90% do lucro dos filmes iam para a distribuidora/estúdio e os outros 10% ficavam para os cinemas, como sabemos, o primeiro final de semana é sempre o melhor para os filmes, e exceto em casos muito específos, como o de A Origem, de Nolan, por exemplo, o rendimento do filme cai grosseiramente de uma semana pra outra. Nessa época os cinemas só lucra- vam com os “lanchinhos” super-faturados, a pratica do lucro baixo na primeira semana em geral não existe mais, contudo sabemos que qualquer alimento dentro dos cinemas continuam superfaturados. Qualquer negociação entre distribuidores é única e essa deve ser a frase mais usada nesse post “cada caso é um caso”, mas vamos tentar trabalhar com a média novamente.  Mas não ignorando os fatos. A maioria dos contratos protegem os cinemas no seguinte ponto, os cine- mas ganham mais, um filme rendeu 10 milhões de dólares, por isso odis- tribuidor vai ganhar cerca de 45% desse valor, já se um filme rendeu 300 milhões, o distribuidor ganha 60% do valor. A última amostra para os acionistas do Cinemark america- no mostram que cerca de 54,5% do valor dos ingressos foram para os distribuidores em 2011.

FORA DOS CINEMAS

Há algum tempo atrás a venda de DVDs e Blu-Ray eram uma fonte de renda maior que a dos cinemas e em  termos de números que retornam aos estúdios a porcentagem em si também era maior, contudo desde 2009  o declínio desse mercado só aumenta, em par- tes por causa da internet e dos serviços de streaming como a  Netflix e outros, a pirataria também ajudou muito na queda do mercado de venda de DVD.

Basicamente todas as locadoras grandes já faliram, incluindo a maior delas, a BlockBuster, as locadoras  menores de bairro ainda existem porque... bem, não sei também, se um dia alguém solucionar esse enig ma por favor comente. Além das locadoras as reven- dedoras de filmes também não vão bem das pernas,  em 2009 as vendas foram tecnicamente iguais ao ren- dimento do cinema, hoje já são muito inferiores e  o medo dos especialistas é que o mercado dos discos diminua até o ponto de se tornar irrelevante, já esta.

Porém, os DVDs/Blu-Ray nunca foram os únicos mo- dos extras de um filme ganhar dinheiro. Alguns filmes  se dar ao luxo de desfrutar da venda de licencia- mento de produtos, como por exemplo, o caso do novo e  rebootado Homem Aranha, que foi bem de bilhete- ria, mas terminou um pouquinho no vermelho depo is de todas as contas terem sido feitas. Contudo, além da bilheteira, das decadentes vendas de DVDs/Blu -Rays em geral e licenciamento para serviços online como os da Microsoft ou da Apple (iTunes), Homem  Ara- nha tem uma grande vantagem que é gerar conteúdo para outros licenciamentos, como Jogos de PC , Jogos de Videogame, Jogos de Celular, Bonequinhos e Action Figures, McLanche Feliz, Cadernos e Lancheiras.

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