A maior preocupação é com a saúde Pesquisa mostra, porém, que alimentação e exercícios físicos são negligenciados

Texto Swen Plec

 Com a chegada à maturidade, a saúde torna-se a maior preocupação do brasileiro. Mas, entre a consciência e a mudança de hábitos, há ainda uma grande distância. Quase 80% das pessoas a partir dos 50 anos consideram o cuidado físico prioridade, porém, para 61%, a alimentação é igual ou pior do que antes e 66% não se exercitam regularmente. Há mais dados preocupantes no levantamento ‘Sinais da Nutrição depois dos 50’, feito Ibope Inteligência e pelo multivitamínico Centrum: duas em cada três pessoas não consomem as recomendadas seis porções de frutas e verduras por dia. Depois da saúde, a estabilidade financeira é a maior preocupação, que aflige a 11% dos entrevistados. Cirurgião do aparelho digestivo, especialista em nutrição e professor da Universidade de São Paulo, Dan Waitzberg reconhece que é difícil mudar hábitos e recomenda que a inclusão de alimento saudáveis seja feita gradativamente. “Toda caminhada começa com o primeiro passo. É bom ter pequenas metas como, por exemplo, incluir uma fruta no café da manhã. Pode ser a fruta preferida”, disse.

Natalia Gandolfo

A inclusão de alimentos saudáveis na dieta pode evitar males mais graves em quem já passou dos 50. De acordo com Tarso Lameri Sant’Anna Mosci, geriatra e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, seção Rio de Janeiro, a falta de nutrientes pode levar à perda de massas óssea e muscular, e acelerar o envelhecimento. Com a perda de músculo, diz ele, ocorre o comprometimento dos movimentos e aumenta o risco de quedas. “Muitas vezes, o idoso não se adapta à dentadura, tem dificuldade de comer carnes e acaba excluindo a proteína da alimentação”, lembra o especialista. Outra consequência da carência de vitaminas e minerais é a síndrome da fome oculta, que se manifesta por diversos sintomas. De acordo com a pesquisa, cansaço, dificuldade de enxergar à noite, falta de energia e indisposição para as atividades do dia a dia são os problemas mais vivenciados pelos participantes. Além disso, as mulheres percebem mais os sintomas relacionados à falta de micronutrientes. Mas, para os dois especialistas, o resultado não significa que elas sejam o ‘sexo frágil’. Pelo contrário, ambos ressaltam que as mulheres vivem mais do que os homens. Dan acredita que elas conseguem perceber melhor os sintomas.

Natalia Gandolfo

Alimentação balanceada e saudável é importante para senhores e senhoras, mas há pequenas diferenças nutricionais no cardápio de acordo com o gênero. Por exemplo, de acordo com Tarso, a necessidade de cálcio para as mulheres é maior — em média 20% — para aquelas entre 50 e 70 anos. Isso por causa do risco aumentado de desenvolver a osteoporose devido à menopausa. Por outro lado, a necessidade de ingestão de ferro é menor para elas após os 50 anos, também por conta da menopausa. Ja para os homens, o magnésio não pode ser negligenciado, já que é ele que garante o bom funcionamento de nervos e músculos. As vitaminas do complexo B também são importantes, pois contribuem para o aproveitamento da energia dos alimentos. Para elas, cálcio é importante. Para eles, magnésio. Porém, outro levantamento mostrou que ingestão de nutrientes está aquém do necessário. De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE, 99% dos homens e 99% das mulheres, no país, não consomem o suficiente de vitamina D por dia. No caso do cálcio, entre brasileiros com mais de 60 anos, 85,9% dos homens e 95,8% das mulheres não ingerem as quantidades certas. Em relação à vitamina E, que fortalece a imunidade, 100% dos entrevistados não seguem o recomendado.
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