POESIA MARGINAL

EXPRESSÃO E VOZ

Seja marginal, seja herói. Com essa frase, o artista plástico Hélio Oiticica sintetizou uma série de trabalhos que ficou conhecida como Marginália. Na Literatura, onde a Marginália também encontrou adeptos, o movimento ficou mais conhecido como Poesia Marginal ou Geração Mimeógrafo. Exemplo da contracultura, a cultura marginal surgiu em um período turbulento da História do Brasil: a ditadura militar.

 

Um dos objetivos da Poesia Marginal era propor uma crítica aos conservadorismos da sociedade, incorporando à Literatura elementos e representações da violência diária nas grandes cidades. A expressão Geração Mimeógrafo, como ficou conhecida também a Poesia Marginal, estava ligada ao fato de que muitos poetas recorriam ao mimeógrafo para copiar seus livros em um processo artesanal e sem qualquer tipo de vínculo com editoras, que não se interessavam pela Literatura que subvertia os padrões convencionados para a arte. As poucas cópias eram vendidas para um público restrito, pessoas que frequentavam eventos como shows, exposições e bares ligados à contracultura.

 

A Poesia Marginal foi um movimento cultural importante para uma geração que buscou através da Literatura uma atuação cultural distante dos padrões da Academia e indiferente à crítica literária. Seus pequenos textos, aliados a elementos visuais como fotografias e quadrinhos, são permeados pela coloquialidade, ironia, sarcasmo, gírias e humor. Do movimento literário, ficaram a inventividade artística e a vitalidade criativa, suas características predominantes. Na literatura, seus principais representantes foram os poetas Paulo Leminski, José Agripino de Paula, Waly Salomão, Francisco Alvim, Torquato Neto, Chacal, Cacaso e Ana Cristina Cesar. Na música, seus maiores representantes foram Sérgio Sampaio, Tom Zé, Jorge Mautner, Jards Macalé e Luiz Melodia, considerados marginais ou “malditos” por terem sido preteridos pelas grandes gravadoras da época. Após intensa produção cultural, o movimento foi se desfazendo: na Literatura, o último ato coletivo foi o lançamento da revista Navilouca, organizada por Torquato Neto e Waly Salomão entre os anos de 1972 e 1973.

 

A Poesia Marginal ou a Geração Mimeógrafo, surgiu na década de 70 no Brasil, de forma a representar o movimento sociocultural que atingiu as artes (música, cinema, teatro, artes plásticas) sobretudo, a literatura, e influenciou diretamente na produção cultural do país.

Absorveu o grito silenciado pela Ditadura Militar e a união de artistas em geral, agitadores culturais, educadores e professores, fez com que buscassem uma forma de divulgação da cultura brasileira, reprimida pelo sistema totalitário que vigorava no país.

 

Dessa forma, a partir desse movimento revolucionário literário, a produção poética “fora do sistema” era divulgada pelos próprios poetas a partir de pequenas tiragens de cópias, que realizam nos toscos folhetos mimeografados, os quais vendiam sua arte a baixo custo, nos bares, praças, teatros, cinemas, universidades, dentre outros. Aquela que abrolha do cerne da periferia, representando a voz da minoria. Nesse ínterim, os poetas marginais recusam qualquer modelo literário, de forma que não se “encaixam” em nenhuma escola ou tradição literária.

 

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